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segunda-feira, 11 de abril de 2016

"Carreira"

Este ano são 37. Completo hoje 37 anos de "carreira". Se fossem 28, "casava os anos"...  a "carreira".


Pois é. Mas a verdade é que nada se alterou do ano passado para este. Continuamos sem estatuto profissional, os nossos direitos continuam reduzidos à expressão mais simples e a unidade no sector também. Mais sócios o CENA sindicato tivesse, mais força teria a negociar estas coisas com quem de direito. Mas a malta acha que ser sócio do sindicato é careta... Nunca experimentaram outra coisa. Mas os da minha geração e os das gerações anteriores já experimentaram. Já tivemos carteira profissional, contratos de trabalho, descontos equivalentes para a segurança social. Eu até tive subsídio de maternidade e baixa por doença e subsídio de férias e de natal, vejam lá! Pois... Foi numa altura em que a malta conquistou umas coisas. Depois... depois o outro lembrou-se dos recibos verdes, mandou as carteiras profissionais às urtigas e a malta calou-se. E foi colectar-se às finanças.  E depois não querem que eu escreva carreira com aspas. 
Ainda estamos a tempo. 
Inscrevam-se no sindicato, pá! Actores, Músicos, Bailarinos, Técnicos, TODOS os trabalhadores do espectáculo e do audiovisual! Acordai, gente!


Quero mais 37 anos disto de ser o que sou, mas também quero condições, faço-me entender?
E pronto. Por hoje é só. 
Até já.

Ah, esperem! Ainda me falta dar os abraços do costume, aos "suspeitos" do costume. 
OBRIGADA! ❤️



quarta-feira, 11 de março de 2015

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cortes na cultura - a ditadura das percentagens

Hoje partilho convosco um texto de Fernando Mora Ramos (Director do Teatro da Raínha), sobre o corte de 23% ao, já de si magro, orçamento para a cultura. Aqui vai:
"Escrevi recentemente no jornal Público que os cortes no teatro, na dança e nos apoios a projectos musicais, eram cortes que mais do que económicos significavam que, para quem os faz, a democracia não é um valor, que eram cortes cegos e nessa medida não eram cortes económicos mas sim políticos e que seriam o sinal mais sintomático do princípio do desaparecimento de um Portugal muito injusto mas em que, apesar de tudo, se respirava de uma forma diferente dos últimos tempos do fascismo, os tempos de Marcelo Caetano, os tais da abertura, uma abertura com máscara de oxigénio – eu vivi-a no Conservatório Nacional de Mário Barradas e sei do que estou a falar. Um corte cego no teatro, na dança e na música, é um corte no corpo novo e jovem – que se sente com estas governações velho de descrédito e desespero, de impotência de um sentido - da democracia de Abril, parte dele constituído pela emergência destas formas artísticas como fruição pública regular para além de todas as “sacanices” do Estado. Pela natureza das próprias actividades – como se sabe o teatro é e foi em muitas partes do mundo e da história condenado e excomungado, e a dança identificada com o diabo (ainda há pouco um bispo mo dizia, com alguma ironia confesso, sobre a possibilidade de uso artístico de um espaço em ruínas mas ainda consagrado) - estas são actividades públicas de recorte polémico, político democrático, são um sistema pulmonar de alimento simbólico, ideológico, vital e afectam profundamente aquelas operações do mental chamadas pensamento que nos ligam a ideias de abertura e de vida, ao contrário de outros sistemas que nos ligam a ideias de violência e morte, lembremo-nos do Viva la muerte do legionário de Franco.

Uma sociedade sem teatro, sem dança, sem música - e sem livros, pois o livro é também um objecto ameaçado por muitas vias e mesmo por aquela via que parece fomentar a sua multiplicação, a do livro star, muitas vezes medíocre mas ocupando todo o terreno – o que será? O que será uma sociedade sem o Luís Miguel Cintra, a revisitação praticada de Pessoa e Camões, e desconhecendo Ibsen, Strindberg, Beckett, Brecht e todos os criadores da nova modernidade sensível, a da descoberta da subjectividade como forma embrionária de uma liberdade nova também, sensível e interior, profunda? O que será mais de que uma regressão absoluta à barbárie do analfabetismo e da iliteracia militantes – o culto de certa incultura tem expressões violentas e age no lugar da ausência da outra, da cultura do pensamento e do espírito enraizados no quotidiano - num momento em que a cultura dominante é o consumo, actividade que do ponto de vista simbólico cria dependências psicológicas e fetichistas nos altares do fluxo constante do espectáculo das mercadorias no âmbito da absoluta comercialização de todas as esferas do espírito? E tendo como catedrais de máxima eficácia arquitectónica, verdadeiros labirintos da compra sugerida imposta, os centros comerciais, para que as pessoas mimeticamente encarneirem sem recuo numa vertigem constante da aquisição, forma de satisfação cíclica de um desejo que encontra num fetichismo desqualificado o seu deus de bolso?

O deserto por vir será um deserto preenchido pelo universo made in China, essa nova americanização de segunda e todos vestiremos os mesmos pijamas numa nova província do mundo, situada nas adjacências comerciais de uma nova potência dominante, a campeã do novo capitalismo mundial, o capitalismo imposto pelo sistema partidário comunista, o mais eficiente.

A descaracterização do Portugal que balbuciou uma entrada tímida na Europa – que a sua mediocridade dirigente falhou – é o fim da Europa em Portugal. As velhas carroças vão agora percorrer as novas auto-estradas e as marroquinarias de todo o tipo chamam-se agora chineserias – da China não virá Shakespeare mesmo que venham senhoras de Fátima inquebráveis. A Ministra da Cultura ficará definitivamente ligada a este destino como mão agente. E o Ministro Teixeira dos Santos como responsável primeiro do crime. Do Primeiro-Ministro já não vale a pena falar".

por Fernando Mora Ramos
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Arte e a Crise

Ora pois. A crise instalou-se. E vai crescer, é melhor não nos iludirmos. E a Arte? e os Artistas? Qual é o nosso papel, em plena crise? Continuarmos no nosso "cantinho"? Fazermos "o que se pode", tendo em conta a crise? Conformarmo-nos? - nenhuma destas hipóteses me parece muito artística....

Sempre vi a Arte como inconformista, pioneira, agitadora de consciências. Não é a Arte DA guerrilha, é a Arte DE guerrilha. Provocadora. Agitadora. Inconformista.

O que sinto é que precisamos de nos encontrar num espaço livre, numa ideia, numa forma de dizer e fazer. Mas quando digo que precisamos de nos encontrar, não estou a falar nos encontros dos "quintais", mas no encontro de consciências, de vontades, de seres.

E como dizia uma cantiga que ouvia na adolescência "...quem tem medo compra um cão, quem tem sono vai dormir,  quem quiser que dê as mãos..."
Continuar, como se nada tivesse mudado, é dormir. Até podemos ser marginais, o que não devemos é colocar-nos à margem do que acontece, do que existe, do que é.

Olhar para fora ... por dentro. É o que temos de fazer. 
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