segunda-feira, 11 de abril de 2016

"Carreira"

Este ano são 37. Completo hoje 37 anos de "carreira". Se fossem 28, "casava os anos"...  a "carreira".


Pois é. Mas a verdade é que nada se alterou do ano passado para este. Continuamos sem estatuto profissional, os nossos direitos continuam reduzidos à expressão mais simples e a unidade no sector também. Mais sócios o CENA sindicato tivesse, mais força teria a negociar estas coisas com quem de direito. Mas a malta acha que ser sócio do sindicato é careta... Nunca experimentaram outra coisa. Mas os da minha geração e os das gerações anteriores já experimentaram. Já tivemos carteira profissional, contratos de trabalho, descontos equivalentes para a segurança social. Eu até tive subsídio de maternidade e baixa por doença e subsídio de férias e de natal, vejam lá! Pois... Foi numa altura em que a malta conquistou umas coisas. Depois... depois o outro lembrou-se dos recibos verdes, mandou as carteiras profissionais às urtigas e a malta calou-se. E foi colectar-se às finanças.  E depois não querem que eu escreva carreira com aspas. 
Ainda estamos a tempo. 
Inscrevam-se no sindicato, pá! Actores, Músicos, Bailarinos, Técnicos, TODOS os trabalhadores do espectáculo e do audiovisual! Acordai, gente!


Quero mais 37 anos disto de ser o que sou, mas também quero condições, faço-me entender?
E pronto. Por hoje é só. 
Até já.

Ah, esperem! Ainda me falta dar os abraços do costume, aos "suspeitos" do costume. 
OBRIGADA! ❤️



domingo, 10 de abril de 2016

"Portugal Não Está À Venda" - Cinema Português

Alguns registos das filmagens.
Filme do querido e talentoso André Badalo. Cada momento com alegria e entrega e prazer. Com os queridos colegas e excelentes actores Cucha Carvalheiro, Orlando Costa, Maria José Paschoal, Pedro Carvalho e Hugo Costa Ramos. Privilégio.













domingo, 27 de março de 2016


Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2016


27 de março 2016.
Mensagem de Anatoli Vassiliev.
Será que precisamos de teatro?
Essa é a pergunta que milhares de profissionais de teatro, dececionados com ele, e milhões de pessoas, que dele estão cansadas, fazem vezes sem conta.
Para que precisamos dele?
Anos estes em que a cena parece tão insignificante, quando comparada com as praças das cidades e com os territórios dos estados, onde as tragédias autênticas da vida real estão a decorrer.
O que é isso para nós?
Galerias banhadas a ouro e balcões das salas de teatro, poltronas de veludo, laterais de palco sujas, e as muito límpidas vozes dos atores – ou vice-versa, algo que pode surgir aparentemente bem diferente: caixas pretas, manchadas de lodo e sangue, com uma porção de corpos nus e raivosos no seu interior.
O que é que isto nos é capaz de dizer?
Tudo!
O teatro pode dizer-nos tudo.
Como os deuses habitam no céu, e como prisioneiros definham em subterrâneos esquecidos, e como a paixão nos pode elevar, e como o amor pode ruir, e de como ninguém necessita de uma boa pessoa neste mundo, e como a deceção reina, e como as pessoas vivem em apartamentos, enquanto as crianças tiritam em campos de refugiados, e como todos eles têm de voltar para o deserto, e como dia após dia somos forçados a separar-nos daqueles que amamos – O teatro pode contar tudo.
O teatro esteve sempre aqui e permanecerá para sempre.
E agora, nestes últimos cinquenta ou setenta anos, ele é particularmente necessário.
Porque se olharmos para todas as artes públicas, podemos ver de imediato o que o só o teatro é capaz de nos dar – uma palavra de boca a boca, um olhar de olhos nos olhos, um gesto de mão para mão, e de corpo para corpo.
O teatro não precisa de nenhum intermediário para poder exercer a sua ação entre os seres humanos – ele constitui o lado mais transparente da luz, não pertencendo nem ao sul, nem ao norte, nem ao leste ou ao oeste – oh não, ele é a essência da luz em si mesma, brilhando de todos os quatro cantos do mundo, imediatamente reconhecível por qualquer pessoa, seja hostil ou amistosa para com ele.
E precisamos do teatro que permaneça sempre diferente; precisamos de teatro de muitos tipos diferentes.
Penso ainda que de todas as formas possíveis de teatro, as suas formas mais arcaicas serão aquelas que chamarão sobre si um maior apelo. O teatro de formas rituais não deve ser artificialmente oposto ao das designadas nações “civilizadas”. A cultura secular está a ser mais e mais lugar de emasculação, e nela a chamada «informação cultural» está gradualmente a substituir e a expulsar de si as entidades portadoras de singularidade, assim como a nossa esperança de um dia as poder vir a conhecer.
Mas uma coisa eu posso ver agora claramente: O teatro está a abrir as suas portas amplamente. Entrada gratuita para todos sem exceção.
Para o inferno com gadgets e computadores – simplesmente venham ao teatro; ocupem filas inteiras nas bancadas e nas galerias, oiçam a palavra e contemplem as imagens vivas! – é o teatro que está à vossa frente, não o negligenciem nem desperdicem a oportunidade de participar nele – talvez seja a oportunidade mais preciosa que podemos partilhar nas nossas vidas vãs e apressadas.
Precisamos de todo e cada tipo de teatro.
Há apenas um teatro de que ninguém por certo sentirá falta – refiro-me ao teatro dos jogos políticos, o teatro das armadilhas políticas, o teatro dos políticos, o teatro fútil da política.
Do que nós certamente não necessitamos é de um teatro de terror diário – seja ele individual ou coletivo, do que não precisamos mesmo é do teatro de cadáveres e de sangue nas ruas e nas praças, nas capitais ou nas províncias, um teatro falseado de confrontos entre religiões ou grupos étnicos…
Tradução a partir do inglês: Margarida Saraiva | Revisão: Armando Nascimento Rosa

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Revolução e mulheres



É só um bocadinho... vale tanto a pena ler todo... 

- Maria Velho da Costa, in Cravo, 1976 -

Elas fizeram greves de braços caídos.
Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta.

Elas gritaram à vizinha que era fascista.

Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas.

Elas vieram para a rua de encarnado.

Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água.

Elas gritaram muito.

Elas encheram as ruas de cravos.

Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes.

Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua.

Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo.

Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas.

Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra.

Elas choraram de verem o pai a guerrear com o filho.

Elas tiveram medo e foram e não foram.

Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas.

Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa.

Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões.

Elas levantaram o braço nas grandes assembleias.

Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos.

Elas disseram à mãe, segure-me aí os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.

Elas vieram dos arrabaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada.

Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão.

Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens.

Elas iam e não sabiam para onde, mas que iam.

Elas acendem o lume.

Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado.


São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.

terça-feira, 24 de novembro de 2015


Porque este homem me/nos faz falta...



O Direito de Sonhar
-Eduardo Galeano-

Eduardo Galeano - foto de autoria desconhecida

Vá-se lá saber como será o mundo para além do ano 2000...
A única certeza que temos é que, quando lá chegarmos, já seremos gente do século passado.
Pior ainda. Seremos gente do milénio passado.
Mas, ainda que não possamos adivinhar que mundo será, podemos imaginar o mundo que queremos que seja.
O direito de sonhar não figura entre os 30 direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948, mas se não fosse por ele, pelo direito de sonhar, e pelas águas que ele dá de beber, os restantes direitos morreriam de sede.

Então vamos delirar! Deliremos, por um bocadinho:
O mundo, que está de pernas para o ar, pôr-se-á sobre os pés.
Nas ruas, os automóveis serão atropelados pelos cães.
O ar estará limpo dos venenos das máquinas e não terá outra contaminação que não seja a que a emana dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão conduzidas pelos automóveis, nem serão programadas pelos computadores, nem serão compradas pelos supermercados, nem serão vistas pelos televisores.
O televisor deixará de ser o membro mais importante da família, e será tratado como o ferro de engomar, ou a máquina de lavar.
As pessoas trabalharão para viver, em vez de viverem para trabalhar.
Em nenhum país irão presos os rapazes que se neguem a fazer o serviço militar, mas sim os que quiserem fazê-lo.
Os economistas não chamarão “nível de vida” ao nível de consumo, nem chamarão “qualidade de vida” à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não acreditarão que as lagostas adoram ser cozinhadas vivas. Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos. Os políticos não acreditarão que os pobres adoram comer promessas.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza. A indústria militar não terá outro remédio senão declarar falência para sempre.
Ninguém morrerá de fome porque ninguém morrerá de indigestão. As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo porque não haverá crianças de rua. As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro porque não haverá crianças ricas.
A educação não será o privilégio de quem a possa pagar, nem a polícia será a maldição de quem não a possa comprar.
A justiça e a liberdade - irmãs siamesas condenadas a viver separadas - voltarão a juntar-se bem juntinhas, costas com costas.
Uma mulher negra será presidente do Brasil. E outra mulher negra será presidente dos Estados Unidos da América. E uma mulher índia governará a Guatemala e outra o Perú. E na Argentina as “Loucas da Praça de Maio” serão um exemplo de saúde mental, porque se recusaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória.
A Santa Madre Igreja corrigirá alguns erros das tábuas de Moisés. O sexto mandamento ordenará festejar o corpo. O nono, que desconfia do desejo, declara-lo-á sagrado. A igreja também declarará um décimo primeiro mandamento, de que o Senhor se terá esquecido: “amarás a natureza, da qual fazes parte!”. Todos os penitentes serão celebrantes.
Não haverá noite que não seja vivida como se fosse a última, nem dia que não seja vivido como se fosse o primeiro.

Tradução: Luisa Ortigoso

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Fotografia - um hobby, uma paixão







Há 2 anos, um amigo e colega (António Évora) "apresentou-me" a sua nova máquina fotográfica. Pediu-me para lhe fazer algumas fotos com ela e... pronto. Foi o início de um hobby que, rapidamente, passou a paixão.

Passarei a partilhar aqui algumas das fotos que resultam das caminhadas que faço por aí.




Vão espreitando.
Até já.



sábado, 11 de julho de 2015



Bem-vindos a Beirais - cenas... 























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